Hospital indígena só tem café para servir a pacientes

Casa de Saúde em Lábrea, no interior do Amazonas, não tem comida para oferecer a pacientes e acompanhantes

Wilson Lima, iG Maranhão | 03/08/2011 17:23

Índios que se recuperam de doenças como malária e tuberculose na Casa de
Saúde Indígena (Casai) de Lábrea, cidade a 701 quilômetros de Manaus, estão sem
alimentos e água potável. A situação se arrasta há aproximadamente três meses,
segundo a Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Purus
(Focimp).

Foto: Reprodução/Google Maps

Lábrea fica a 700 quilômetros de Manaus

Em nota, o Ministério da Saúde informou que acionou o Distrito Sanitário
Especial Indígena (Dsei) de Porto Velho, capital de Rondônia, para normalizar o
abastecimento dos indígenas. A cidade é a capital mais próxima de Lábrea.

Hoje, cerca de 50 pessoas, entre pacientes e acompanhantes, estão abrigadas
no local. A Casai de Lábrea é responsável pelo atendimento médico de 14 povos
indígenas da região. Um universo de aproximadamente 8 mil pessoas, em 96
aldeias, segundo informações da Focimp.

O diretor-executivo da entidade, José Raimundo Pereira Lima, indígena da
etnia apurinã, afirma que, “para não passar fome”, os índios contam com a
solidariedade de caminhoneiros e pessoas que trafegam diariamente pela BR-230, a
transamazônica. Os pacientes também contam com doações da Igreja Católica e
missões evangélicas. “Não tem outra alternativa. Pedimos para quem pode nos dar
socorro. Estamos abandonados”, afirmou ele sobre a alimentação das pessoas no
hospital. “Geralmente, o café da manhã é café e pronto. Sem pão, biscoito ou
algo parecido, sem a menor perspectiva de comer algo no almoço”,
complementou.

A Casa de Saúde Indígena é mantida e administrada pelo Distrito Especial de
Saúde Indígena (Dsei) do Médio Purus, localizado no Amazonas, próximo à divisa
com os Estados do Acre e de Rondônia. O Dsei é subordinado à Secretaria Especial
de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde.

Geralmente,
o café da manhã é café e pronto. Sem pão, biscoito ou algo parecido, sem a menor
perspectiva de comer algo no almoço”

No início da crise, o caso foi denunciado ao Ministério Público Federal (MPF)
do Amazonas. O MPF instaurou inquérito civil público para apurar “omissão da
estruturação” do Dsei do Médio Purus.

Além de apurar problemas com a alimentação dos indígenas, o Ministério
Público também investiga denúncias da Associação dos Profissionais Indígenas do
Médio Purus (Apisamp) sobre a falta de remédios e de meios de transportes e
comunicação no distrito de saúde indígena. No início de julho, o MPF encaminhou
ofício à Sesai pedindo explicações. O prazo para uma resposta vence nas próximas
semanas.

O Ministério da Saúde informou que o Dsei de Porto Velho ficará responsável
pela normalização, em caráter emergencial, do abastecimento de alimentos da
Casai de Lábrea. Isso porque o distrito de Porto Velho fica a quatro horas de
carro da região. Nesta semana, o ministério promete enviar técnicos para Lábrea
“para por em prática plano de ação para a organização do saneamento, gestão e
atenção à saúde indígena”. “O Ministério da Saúde está regularizando a compra e
fornecimento desses produtos em todos os Dseis do País”, finaliza a nota enviada
ao iG.

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